NotÃcias
Trabalho & Formação Profissional
Carreira
Cuidador de máquinas
Preocupadas com a produtividade, indústrias investem cada vez mais na saúde de produtos e
equipamentos. Estratégia abre vagas para técnicos de inspeção, que chegam a ganhar R$ 4,6 mil .
Profissão é exercida praticamente por jovens
>> Priscila Mendes
Eles são o que podemos chamar de médicos da indústria. Só que, em vez de avaliar o estado de saúde
de um paciente, o técnico de inspeção em ensaios não destrutivos (END) checa a robustez de materiais,
produtos e equipamentos da indústria. São esses profissionais que constatam, por exemplo, o estado de
materiais e equipamentos a fim de evitar que um defeito possa prejudicar ou atrapalhar a vida útil de
pontes, viadutos e a segurança de estruturas como aviões e navios.
Mesmo em expansão e sendo importante para a segurança e sobrevivência de áreas da indústria como a
de petróleo e gás, siderurgia, aeronaval, aeronáutica e automobilÃstica, a profissão ainda é
desconhecida. “Ele é acima de tudo um inspetor, que historicamente sempre foi considerada uma das
funções primordiais da indústria. Mas o aumento da demanda e a busca por especialização
contribuÃram para o surgimento de profissionais especÃficos de ENDâ€, explica Vladimir dos Santos
Ferreira, gerente de inspeção de equipamentos da Refinaria Duque de Caxias (RJ), da Petrobras. Ele
atua há 20 anos no mercado, lidando diretamente com todos os tipos de técnicos de inspeção.
Hoje, além de demandados — são criadas cerca de 120 vagas por mês, ou seja, 1.440 por ano no paÃs
— os especialistas em END são valorizados pelo mercado. A prova disso está nos salários. A
Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos (Abende) fez uma pesquisa com 300 profissionais do
setor e constatou: 40% deles ganham R$ 4.600 por mês. Além disso, 86% dos técnicos têm entre 26 e
30 anos, uma oportunidade para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.
Vale lembrar que, para seguir a carreira, não é necessário ter curso superior, desde que o profissional de
nÃvel técnico seja qualificado e certificado por instituições credenciadas pela Abende. “Há profissionais
de outras áreas que podem se especializar em ensaios não destrutivos e não conhecem essas técnicas.
Mas é preciso certificação. A demanda é grande e as empresas querem pessoal treinadoâ€, aponta João
Antonio Conte, diretor executivo da associação. Segundo ele, pessoas com conhecimento mÃnimo em
metalurgia, fabricação, mecânica, soldagem, eletrotécnica ou quÃmica podem se tornar um técnico de
inspeção em END com a devida certificação.
Na Petrobras, por exemplo, o técnico de inspeção de equipamentos e instalações desenvolve as mesmas
atividades de um profissional de END. O cargo é de nÃvel médio. No entanto, não é raro encontrar
pessoas com nÃvel superior, como o engenheiro quÃmico Jorge Luiz Resende Galvão, que optaram pela
carreira. “É uma área promissora e de extrema importância para a empresa. Se você está qualificado,
não fica só na inspeção e pode assinar e analisar um relatório, porque a instituição certificadora lhe
garante isso. Quanto mais certificações você tem, mais é valorizado pelo mercadoâ€, diz o técnico de
inspeção da Refinaria Duque de Caxias.
Especialização
A exigência do mercado não é à toa. Para analisar o teor de defeitos de um determinado produto ou
monitorar a degradação de componentes, equipamentos e estruturas, as técnicas de ensaios não
destrutivos permitem aos profissionais a utilização de vários métodos. Entre eles, ensaio visual, lÃquido
penetrante, partÃculas magnéticas, ultrassom, radiografia, análise de vibrações e termografia. O que
exige dos inspetores domÃnio de equipamentos de última geração, que só é garantido, é claro, com a
qualificação. “A partir de 2012, o mercado só aceitará profissionais certificados. Isso porque não
adianta saber só a parte técnica. Os procedimentos de ensaios devem ser feitos com base em normais e
critérios internacionais. E os cursos dão essa baseâ€, ressalta João Conte.
Economia
O eletrotécnico João Carlos dos Santos, 41 anos, sabe que a certificação faz a diferença no dia a dia.
Por meio de uma câmera termográfica, o técnico de inspeção da Companhia Energética de BrasÃlia
(CEB) identifica diferenças de temperatura no sistema da rede elétrica que podem causar falhas no
sistema. Mas se não fossem os conhecimentos na área, de nada adiantaria a tecnologia. “A imagem por
si só não diz nada. É preciso fazer a análise do material, seguindo padrões estabelecidos para se ter um
resultadoâ€, diz.
Na opinião de João Carlos, que há 20 anos atua na área, o mercado para profissionais especializados
em END ainda é reduzido em BrasÃlia. Mas as empresas já perceberam que os procedimentos de
segurança são imprescindÃveis. “Isso é sinônimo de economia para elas. Por aqui, médias e grandes
empresas já se deram conta da importância de se contratar pessoas qualificadas para cuidar da
segurança de seus equipamentos e estruturasâ€, diz.
Preservar o próprio técnico de inspeção, exposto a riscos diários, também é importante para as
empresas. Por isso, em muitas delas, a área de segurança caminha lado a lado com a de inspeção. Na
CEB, o engenheiro eletricista Cézar Nonato, 51 anos, da área de segurança, acompanha o trabalho dos
inspetores e exige os procedimentos corretos. “A gente não acompanha, necessariamente, todas
inspeções. Mas damos treinamento para garantir a segurança de todos os profissionaisâ€, explica.
E como nem todas as empresas tomam esse cuidado, o ideal é que técnicos de inspeção já tenham
conhecimentos na área de segurança antes de fazer o curso de especialização. “Com o tempo, isso será
um pré-requisito exigido pelos cursos de certificaçãoâ€, avisa João Carlos dos Santos, que também é
membro da Abende.
RAIOS X
Quanto ganha
até R$ 4.600 por mês
Demanda
no paÃs, são criadas cerca de 120 vagas por mês, ou seja, 1.400 por ano
Onde atua
indústrias petrolÃferas, quÃmicas, siderúrgicas, nuclear, automobilÃstica, aeronaval, entre outras
Formação
cursos podem ser feitos na Associação Brasileira de Ensaios
Não Destrutivos ou pelas instituições credenciadas pela Abende. Confira onde e como se qualificar no
site www.abende.org.br. Em BrasÃlia, não há formação técnica especÃfica em END, mas empresas do
ramo oferecem cursos próprios. A Abende mais próxima fica em Goiás
Fique de olho
Ensaio não destrutivo é um assunto que já chama atenção inclusive do governo federal. O Plano
Nacional de Qualificação Profissional (Prominp), por exemplo, já formou 1.130 pessoas no curso de
inspetor na Bahia, EspÃrito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, e mais
de 1 mil pessoas aguardam o inÃcio das turmas para este ano. Acompanhe as novidades no site
www.prominp.com.br.
Carreira
Cuidador de máquinas
Preocupadas com a produtividade, indústrias investem cada vez mais na saúde de produtos e
equipamentos. Estratégia abre vagas para técnicos de inspeção, que chegam a ganhar R$ 4,6 mil .
Profissão é exercida praticamente por jovens
>> Priscila Mendes
Eles são o que podemos chamar de médicos da indústria. Só que, em vez de avaliar o estado de saúde
de um paciente, o técnico de inspeção em ensaios não destrutivos (END) checa a robustez de materiais,
produtos e equipamentos da indústria. São esses profissionais que constatam, por exemplo, o estado de
materiais e equipamentos a fim de evitar que um defeito possa prejudicar ou atrapalhar a vida útil de
pontes, viadutos e a segurança de estruturas como aviões e navios.
Mesmo em expansão e sendo importante para a segurança e sobrevivência de áreas da indústria como a
de petróleo e gás, siderurgia, aeronaval, aeronáutica e automobilÃstica, a profissão ainda é
desconhecida. “Ele é acima de tudo um inspetor, que historicamente sempre foi considerada uma das
funções primordiais da indústria. Mas o aumento da demanda e a busca por especialização
contribuÃram para o surgimento de profissionais especÃficos de ENDâ€, explica Vladimir dos Santos
Ferreira, gerente de inspeção de equipamentos da Refinaria Duque de Caxias (RJ), da Petrobras. Ele
atua há 20 anos no mercado, lidando diretamente com todos os tipos de técnicos de inspeção.
Hoje, além de demandados — são criadas cerca de 120 vagas por mês, ou seja, 1.440 por ano no paÃs
— os especialistas em END são valorizados pelo mercado. A prova disso está nos salários. A
Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos (Abende) fez uma pesquisa com 300 profissionais do
setor e constatou: 40% deles ganham R$ 4.600 por mês. Além disso, 86% dos técnicos têm entre 26 e
30 anos, uma oportunidade para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.
Vale lembrar que, para seguir a carreira, não é necessário ter curso superior, desde que o profissional de
nÃvel técnico seja qualificado e certificado por instituições credenciadas pela Abende. “Há profissionais
de outras áreas que podem se especializar em ensaios não destrutivos e não conhecem essas técnicas.
Mas é preciso certificação. A demanda é grande e as empresas querem pessoal treinadoâ€, aponta João
Antonio Conte, diretor executivo da associação. Segundo ele, pessoas com conhecimento mÃnimo em
metalurgia, fabricação, mecânica, soldagem, eletrotécnica ou quÃmica podem se tornar um técnico de
inspeção em END com a devida certificação.
Na Petrobras, por exemplo, o técnico de inspeção de equipamentos e instalações desenvolve as mesmas
atividades de um profissional de END. O cargo é de nÃvel médio. No entanto, não é raro encontrar
pessoas com nÃvel superior, como o engenheiro quÃmico Jorge Luiz Resende Galvão, que optaram pela
carreira. “É uma área promissora e de extrema importância para a empresa. Se você está qualificado,
não fica só na inspeção e pode assinar e analisar um relatório, porque a instituição certificadora lhe
garante isso. Quanto mais certificações você tem, mais é valorizado pelo mercadoâ€, diz o técnico de
inspeção da Refinaria Duque de Caxias.
Especialização
A exigência do mercado não é à toa. Para analisar o teor de defeitos de um determinado produto ou
monitorar a degradação de componentes, equipamentos e estruturas, as técnicas de ensaios não
destrutivos permitem aos profissionais a utilização de vários métodos. Entre eles, ensaio visual, lÃquido
penetrante, partÃculas magnéticas, ultrassom, radiografia, análise de vibrações e termografia. O que
exige dos inspetores domÃnio de equipamentos de última geração, que só é garantido, é claro, com a
qualificação. “A partir de 2012, o mercado só aceitará profissionais certificados. Isso porque não
adianta saber só a parte técnica. Os procedimentos de ensaios devem ser feitos com base em normais e
critérios internacionais. E os cursos dão essa baseâ€, ressalta João Conte.
Economia
O eletrotécnico João Carlos dos Santos, 41 anos, sabe que a certificação faz a diferença no dia a dia.
Por meio de uma câmera termográfica, o técnico de inspeção da Companhia Energética de BrasÃlia
(CEB) identifica diferenças de temperatura no sistema da rede elétrica que podem causar falhas no
sistema. Mas se não fossem os conhecimentos na área, de nada adiantaria a tecnologia. “A imagem por
si só não diz nada. É preciso fazer a análise do material, seguindo padrões estabelecidos para se ter um
resultadoâ€, diz.
Na opinião de João Carlos, que há 20 anos atua na área, o mercado para profissionais especializados
em END ainda é reduzido em BrasÃlia. Mas as empresas já perceberam que os procedimentos de
segurança são imprescindÃveis. “Isso é sinônimo de economia para elas. Por aqui, médias e grandes
empresas já se deram conta da importância de se contratar pessoas qualificadas para cuidar da
segurança de seus equipamentos e estruturasâ€, diz.
Preservar o próprio técnico de inspeção, exposto a riscos diários, também é importante para as
empresas. Por isso, em muitas delas, a área de segurança caminha lado a lado com a de inspeção. Na
CEB, o engenheiro eletricista Cézar Nonato, 51 anos, da área de segurança, acompanha o trabalho dos
inspetores e exige os procedimentos corretos. “A gente não acompanha, necessariamente, todas
inspeções. Mas damos treinamento para garantir a segurança de todos os profissionaisâ€, explica.
E como nem todas as empresas tomam esse cuidado, o ideal é que técnicos de inspeção já tenham
conhecimentos na área de segurança antes de fazer o curso de especialização. “Com o tempo, isso será
um pré-requisito exigido pelos cursos de certificaçãoâ€, avisa João Carlos dos Santos, que também é
membro da Abende.
RAIOS X
Quanto ganha
até R$ 4.600 por mês
Demanda
no paÃs, são criadas cerca de 120 vagas por mês, ou seja, 1.400 por ano
Onde atua
indústrias petrolÃferas, quÃmicas, siderúrgicas, nuclear, automobilÃstica, aeronaval, entre outras
Formação
cursos podem ser feitos na Associação Brasileira de Ensaios
Não Destrutivos ou pelas instituições credenciadas pela Abende. Confira onde e como se qualificar no
site www.abende.org.br. Em BrasÃlia, não há formação técnica especÃfica em END, mas empresas do
ramo oferecem cursos próprios. A Abende mais próxima fica em Goiás
Fique de olho
Ensaio não destrutivo é um assunto que já chama atenção inclusive do governo federal. O Plano
Nacional de Qualificação Profissional (Prominp), por exemplo, já formou 1.130 pessoas no curso de
inspetor na Bahia, EspÃrito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, e mais
de 1 mil pessoas aguardam o inÃcio das turmas para este ano. Acompanhe as novidades no site
www.prominp.com.br.





